Dilma: Não vamos fazer loucura


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Dilma diz que Brasil tem três grandes problemas a resolver: juros altos, taxa de câmbio e impostos
FOTO: AG. BRASIL
A presidente destacou que não tomará medida abrupta, como confisco dos recursos em 1990, no governo Collor
Brasília. Nas três reuniões que teve na quinta-feira para explicar as mudanças na remuneração da poupança, a presidente Dilma Rousseff fez questão de destacar que não tomará qualquer medida abrupta, como o confisco dos recursos ocorrido em 1990, no governo Collor.

"Nós não vamos fazer nenhuma gracinha, nenhuma loucura", disse Dilma, no encontro com dirigentes de centrais sindicais. A presidente pediu cuidado na divulgação do tema, pois admitiu preocupação com interpretações errôneas de que o governo congelará a poupança.

No Palácio do Planalto, há receio de que a discussão da medida provisória com mudanças na mais popular das aplicações seja contaminada pelo clima eleitoral, mas Dilma está convencida de que pode vencer a batalha da comunicação. "Todo mundo sabe que mexer na poupança é uma medida arriscada, mas nós temos responsabilidade. Vamos manter a poupança com sua valorização e adaptá-la para a possível queda dos juros, em patamar menor do que 8,5% ao ano", insistiu a presidente.

Dilma e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, passaram o dia em encontros a portas fechadas, explicando que as mudanças não afetarão as poupanças antigas e só valerão para os novos depósitos, quando a taxa Selic ficar igual ou abaixo de 8,5% ao ano. A primeira reunião foi com representantes do Conselho Político, formado por presidentes e líderes de partidos da base aliada. Depois, entraram os sindicalistas e, por último, os empresários. Na avaliação de Dilma, o Brasil tem três grandes problemas a resolver: juros altos, taxa de câmbio e impostos.

Projeções já indicam Selic a 8%

São Paulo.
 Alguns economistas já revisaram suas projeções para a taxa Selic em dezembro para 8% ao ano, diante da mudança nas regras da caderneta de poupança. O movimento surpreende pela rapidez e por se antecipar ao mercado de juros, tradicionalmente mais agressivo. O diretor de Pesquisa para Mercados Emergentes da América Latina da Nomura, Tony Volpon, por exemplo, revisou sua previsão de 8,5% para 8%, "com o risco de vermos níveis ainda mais baixos". "Acreditamos que as mudanças na poupança apontem a intenção do governo de levar a taxa (de juros) para muito abaixo dos níveis atuais."

A Nomura se junta a outras duas instituições que já revisaram suas projeções para 8% no fim do atual ciclo de afrouxamento monetário. O banco Safra, que até então estimava a Selic em 8,5% no fim deste ano, também projeta a taxa em 8% tanto este ano como em 2013, destacando que a remuneração da poupança é hoje o maior obstáculo à queda. Outro que seguiu a mesma linha foi o sócio da Mauá Sekular e ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo. Ele espera que a Selic recue a 8,5% na próxima reunião do Comitê de Política Monetária e, a partir daí, caia de novo para 8%, mantendo-se assim até o fim do ano.

"A mudança na poupança é um evento histórico. É o auge de um processo que começou com Fernando Henrique Cardoso, amadureceu com Lula e chega ao final com Dilma", comentou o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito. Ele ainda projeta uma Selic de 8,5% no fim deste ano, mas não descarta uma revisão no cálculo.

Governo vê benefícios a novos mutuários

Brasília.
 Com a mudança nas cadernetas, o governo espera que os financiamentos da casa própria fiquem mais baratos. "Os bancos vão poder liberar empréstimos a custos menores", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega. "Essa é a tendência "

Esse movimento vai ocorrer porque os recursos depositados em cadernetas de poupança são utilizados para financiar a compra da casa própria. Como a caderneta pagará rendimentos menores a partir das mudanças anunciadas ontem, a fonte de financiamento de bancos e construtoras ficará mais barata. Hoje elas pagam algo como 7,5% ao ano. Com a nova regra, se a taxa Selic for a 8%, por exemplo, ficará em 5,6% ao ano. Esse ganho, acredita o governo, será repassado aos mutuários.


(Fonte: Diário do Nordeste)
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