COPA DAS CONFEDERAÇÕES - Fred e Neymar decidem, Brasil vence Itália e avança em primeiro.

Fred desencantou e marcou duas vezes
Quando Brasil e Itália relegaram às faltas e priorizaram o futebol, a partida fluiu na Arena Fonte Nova neste sábado, justificando os nove títulos mundiais em campo. O 4 a 2 a favor dos brasileiros não garantiu apenas o primeiro lugar do Grupo A como provavelmente tirou a Espanha do caminho na semifinal da Copa das Confederações (a classificação no Grupo B ainda não está definida).

Sorte do time de Luiz Felipe Scolari que contou mais uma vez com o talento de Neymar e viu Fred marcar pela primeira vez no torneio para manter os 100% de aproveitamento da Seleção e coroar, de certa forma, a campanha irretocável na fase de classificação.

Apesar da vantagem do empate, Felipão não escalou apenas Paulinho, lesionado, optando por Hernanes como substituto. O técnico, por sua vez, perdeu David Luiz, que é dúvida para o confronto de quarta-feira, no Mineirão, em Belo Horizonte.

PORRADAS, LESÕES E O BAIANO PREDESTINADO

Pela primeira vez na Copa das Confederações, o Brasil terminaria o primeiro tempo sem marcar. Nem mesmo a pressão nos três minutos iniciais garantiram um gol antes dos dez minutos como aconteceu anteriormente contra Japão e México. Dante, porém, aos 45 minutos assegurou a vantagem parcial de um desempenho, até então, diferente do Brasil no torneio.

Fato atribuído, entre outras razões, à marcação eficiente e ríspida dos italianos. O tal jogo truncado esperado pelo volante Hernanes na véspera do confronto contaminou, em parte, o padrão brasileiro. Com apenas 12 minutos, foram nove faltas contra três dos italianos. Até o fim da etapa inicial seriam 22 infrações no total, das quais 13 só dos brasileiros.

Partida, digamos, mais brutal que fez com que dois jogadores deixassem o campo com lesões. O primeiro deles foi Abate. No duelo particular contra Neymar, o lateral italiano derrubou o 10 da Seleção duas vezes. Depois, quando o atacante retribuiu, acertou de vez o camisa 20 da Azurra, que foi diretamente para o vestiário com dores no braço direito provocadas pela queda. Restou ainda um amarelo para Neymar e uma fratura no braço para Abate.

Cinco minutos depois, aos 32, seria a vez de David Luiz dar um bico para a lateral, demonstrando frustração por não ter suportado uma pancada na coxa direita recebida aos 13 após lance mais ríspido com Candreva. Coincidência fatal para os italianos porque Dante era quem entrava no lugar do camisa 4. Eles, porém, ainda não sabiam da tragédia parcial que estava prestes a ser anunciada.

A única certeza, porém, mostrada pelos rivais era uma: retranca para bloquear a velocidade do ataque brasileiro. Sabedoria aplicada e que derrubava a eficiente chegada em bloco do time de Luiz Felipe Scolari. Até o apito do juiz, além do gol, apenas um chute cruzado sem força de Neymar representava a melhor oportunidade brasileira.

O filho da terra Dante, então, intercedeu pelos companheiros, por Felipão e pelos milhares de torcedores que aplaudiram o zagueiro quando entrou em campo aos 33 minutos. O baiano, como um verdadeiro predestinado, estava muito bem posicionado para aproveitar o rebote de Buffon após desvio de cabeça de Fred e saciar a Arena Fonte Nova e seu público.

CAMISAS 9 E 10 DECIDEM


Foram transcorridos 45 minutos, o segundo tempo se iniciava, o Brasil vencia por 1 a 0 e nada de o nome 'Balotelli' ser citado. Ainda mais por se tratar de um jogo disputado, o preferido do camisa 9. Ledo engano. Bastou um tiro de meta cobrado por Buffon cair nos pés do atacante. Mesmo com Dante fazendo a carga por trás, Super Mario conseguiu um passe de calcanhar para Giaccherini. Sem marcação, ele avançou e chutou cruzado para empatar aos cinco minutos.

Susto rápido para o time de Felipão e para a torcida. Afinal, Neymar assumiria novamente o papel de protagonista. Bastaram mais quatro minutos para o camisa10 sofrer falta e cobrá-la de maneira perfeita, recolocando o Brasil à frente.

Nesse momento, ao considerar o gol marcado por Dante aos 45 ainda do primeiro tempo, eram três em apenas nove minutos.

Disputa acirrada para classificar em primeiro do Grupo A e fugir da Espanha? Pretexto aceitável, mas dentro dos objetivos do Brasil. Afinal, para ser campeã, a Seleção precisa superar a Fúria.

Melhor, então, deixar os espanhóis para uma eventual final, pensou Fred, quando recebeu lançamento perfeito de Marcelo e fuzilou o gol de Buffon, aos 21 minutos. Foi o primeiro do 9 na Copa das Confederações.

A Itália esboçou sinais de reação após Chiellini diminuir aos 26 minutos em lance polêmico. Os jogadores do Brasil alegaram que o árbitro Ravshan Irmatov teria assinalado pênalti antes de o zagueiro da Azurra empurrar a bola contra as redes de Julio Cesar.

Polêmicas à parte, o gol deu uma sobrevida ao time do técnico Prandelli e a cabeçada de Maggio oito minutos depois ensaiava uma reação. Felipão, precavido, já havia colocado Fernando no lugar de Hulk antes desse lance.

Fechado e só com Fred no campo de defesa da Itália, o Brasil suportou a pressão. E o único homem à frente naquele momento fez o segundo dele no jogo e sacramentou a vitória inquestionável sobre a Itália.

FICHA TÉCNICA
ITÁLIA 2 X 4 BRASIL
Local: Arena Fonte Nova, em Salvador (BA)
Data/Hora: 22/6/2013 – 16h
Árbitro: Ravshan Irmatov (UZB)
Auxiliares: Abdukhamidullo Rasulov (UZB) e Bakhadyr Kochakarov (KGZ)
Público: 48.874 pagantes
Cartões Amarelos: Machisio (ITA); David Luiz, Neymar, Luiz Gustavo (BRA)
Cartões Vermelhos: -
GOLS: Dante, 45'/2ºT (0-1); Giaccherini, 6'/2ºT (1-1); Neymar, 9'/2ºT (1-2); Fred, 20'/2ºT (1-3); Chiellini, 25'/2ºT (2-3); Fred, 42'/2ºT (2-4)

ITALIA: Buffon, Abate (Maggio - 29'/1ºT), Bonucci, Chellini, Sciglio; Montolivo (Giaccherini - 26'/1ºT), Aquilani, Machisio, Candreva, Diamanti (El Shaarawy - 27'/2ºT); Balotelli. Técnico: Cesare Prandelli.

BRASIL: 
Julio Cesar, Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz (David Luiz - 33'/1ºT), Marcelo; Luiz Gustavo, Hernanes, Oscar; Hulk (Fernando - 30'/2ºT), Neymar (Bernard - 23'/2ºT) e Fred. Técnico: Luiz Felipe Scolari
(FONTE: O POVO)
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