Aliança não foi vingança, mas legítima defesa", afirma Marina

A ex-senadora reconheceu que a decisão de ir para o PSB e se aliar ao governador Eduardo Campos abriu um conflito dentro da Rede. Ao mesmo tempo, disse que a divergência é própria da democracia
Três dias depois de anunciar o lance mais surpreendente até agora da corrida ao Palácio do Planalto, a ex-senadora Marina Silva afirmou ontem, que a aliança com Eduardo Campos não foi um ato de “vingança” contra os que eventualmente trabalharam contra a criação de seu partido, mas a “legítima defesa da esperança”.

“Muita gente me pergunta: ‘Senadora, isso foi uma vingança?’ Eu digo: foi um ato em legítima defesa da esperança, a esperança de ver que é possível uma aliança programática”, disse a ex-senadora. Ao reconhecer que sua decisão abriu conflito dentro da própria Rede Sustentabilidade, Marina disse ainda que não é “Deus” e que os que divergem têm o direito de não concordar, de não votar nela.
“Aqueles que divergirem têm o direito de não votar, têm o direito de não concordar, isso é democracia. Eu não sou Deus e nem Deus todo muito concorda com Ele. E nem por isso Ele dá um raio na cabeça das pessoas porque discordam dEle”, disse Marina, que é evangélica. Dois dias depois de a Justiça Eleitoral barrar a criação da Rede, Marina anunciou no sábado apoio ao projeto eleitoral de Eduardo Campos, dizendo que reconhece sua candidatura e que trabalhará para que a aliança dê certo em torno de uma “agenda programática” para o país.
A decisão pegou de surpresa inclusive integrantes de sua legenda, que defendiam sua filiação a outro partido para que ela disputasse a Presidência da República.
Marina afirmou que eventual ingresso no PPS, o que chegou a ser negociado, seria incoerente com o discurso de que a Rede estava sendo montada não como um projeto “de poder pelo poder”, mas como um projeto “de país”.

“Diriam: ‘Foram para o PV (partido pelo qual Marina disputou a Presidência em 2010), não deu certo, tentaram um partido, não deu certo, agora foram para outro partido para ter o candidato. Eu acho que tendo recebido uma ogiva (do TSE), isso significaria escapar viva por alguns dias para ir sangrar incoerente na coxia.”
Ela refirmou que considera posta a candidatura de Campos, mas que os dois combinaram tratar desse assunto só em 2014.”Já estava posta a candidatura do Eduardo, ele sinalizando o compromisso de aprofundar a agenda. Se isso prospera, ótimo, teremos ali a aliança programática e a aliança fática. Se não prospera, valeu a intenção da semente. O que não podia é não ter nenhuma semente de esperança”, disse a ex-senadora.

Marina também disse que as divergências com o PSB não devem impedir a aliança nacional, mas se mostrou incomodada com eventual aliança entre o PSB de Goiás e o deputado federal Ronaldo Caiado (DEM), defensor das teses ruralistas. Segundo ela, ambos são “coerentes” o suficiente para saber que se ela estiver na aliança nacional, “ele mesmo vai pedir para sair, se é que já não saiu”. (da agência Estado)
(FONTE: O Povo)
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